Está entrando luz do sol. Você não gosta de luz. A luz entra por culpa da janela. E você realmente odeia essa luz. Então você passa a odiar a janela. Agora você realmente odeia essa janela que traz essa luz que ofusca tudo e não te deixa descansar. Mas você não odeia o sol, odeia a janela que deixa entrar luz onde não deveria. E cada vez a luz te incomoda mais. E cada vez você odeia mais a janela. Mais. Mais. E o ódio que você tem da janela se torna irracional. Então você quebra a janela. Todinha. Quebra em pedacinhos. Até não sobrar mais nada que se possa olhar e dizer que foi uma janela. A luz continua entrando. (Talvez a culpa não fosse da janela). A luz entra. E continua te irritando. E você sai pra comprar uma cortina. E compra uma. Ela não deixa a luz passar de jeito algum. E você adormece. Esquece do incidente da janela. Mas acorda no meio da noite. Você sente muito frio. E levanta pra fechar a janela. Cadê a janela? Você quebrou. E agora está frio. A cortina não bloqueia o frio. Ele passa, malandro, pelos lados e chega a você. E agora você quer que a luz chegue pra esquentar você.
Pobre da janela.