sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Afirmação

Deitamos sob as estrelas, de mãos dadas, rindo, ainda ofegantes por causa da corrida. A grama estava úmida e beliscava a pele do meu braço e das minhas costas onde minha blusa se ergueu. Olhei para o alto, o céu estava limpo e parecia que ali havia mais estrelas que na cidade. Entendi o porquê diziam que era inútil contá-las; eram tantas.

O vento batia na copa das árvores que escondiam a lua ao fundo. Acho que ali conheci a felicidade. Eu estava de mãos dadas com uma pessoa que, enfim, merecia o que eu sentia e que me fazia sentir que, em algum lugar, dentro daqueles olhos azuis e brilhantes como os de uma criança, havia algo de que eu era merecedora.

Ficamos ali deitados, no silêncio. Podia ouvir a respiração dele se normalizando, podia sentir sua mão na minha e a ponta do meu tênis tocando sua perna. Virei minha cabeça a fim de ver sua expressão, se era tão feliz e boba como a minha devia estar. Me surpreendi ao ver que ele me fitava, com os olhos doces e um leve sorriso nos lábios rosados. Sorri de volta.

Ali tive a confirmação que o tal amor era verdade e podia sim, ser mútuo.