domingo, 27 de julho de 2014

Sobre as última horas

Eu passei tanto tempo imersa, afundando cada vez mais porque repetia para mim mesma que não sabia nadar. Eu tentava me debater, mas só ficava mais cansada e o fundo me puxava mais e mais. E a água era tão salgada, que se abrisse meus olhos, eles arderiam como fogo. Meus seis minutos sem ar acabariam. Se tornariam um de morte se eu não enfrentasse. Então, de olhos fechados, tateei a minha volta, em busca de algo que pudesse me agarrar. Eu estava no alto dos meus dois minutos e não achei nada. Então abri os olhos e vi uma corda, a corda que era mantida ali para me ajudar mesmo eu já tendo quase afundado tantos barcos, só um movimento eu a agarraria. 'Não!' eu gritei dentro da minha cabeça. Com aquela corda eu não me salvaria, porque sabia que quando chegasse lá em cima, eu precisaria me machucar para entrar no barco, e provavelmente alguém se machucaria tentando me ajudar. Eu sairia dali de outra forma. Eu lembrei de como as pessoas nadavam, mas não consegui imitar, não saía do lugar.

Cinco minutos.
Não havia mais nada ali, a não ser peixes pequenos, que não levariam lugar nenhum, botos que queria só se divertir e tubarões, que me matariam até mesmo antes que meu último minuto se esvaísse.
Já doía não respirar. Nos últimos trinta segundos que me restavam, a corda dançava pra mais perto, mais perto, mais perto, até quase me tocar. Então eu a agarrei. Me icei até a superfície, senti que mais alguns segundos ali seriam fatais. Então eu vi o sol, vi a água de cima, eu puxava o ar para meus pulmões mas eles eram muito pequenos para a minha necessidade.
Foi então, que me virei e vi alguém sentado no barco me observando, com olhos doloridos e curtidos pelos seis minutos angustiantes que, mesmo eu rejeitando sua ajuda com medo de algumas farpas do barco, dividiu comigo. E comecei a chorar.
Algo me fez aceitar sua ajuda, eu esperei quase todos os seis minutos se esgotarem, para ver se eu precisaria mesmo voltar, se não seria melhor ficar ali, para que um dia já não restasse mais nada de mim e das minhas dores. Mas mais alguns segundos ali só me levariam ao nada sem volta.
Agora eu estou aqui, ainda seguro na corda porque não sei nadar, estou ficando cansada e sentindo frio. Já tentei entrar no barco sem ajuda, mas só consegui feridas profundas que ardem com o sal da água que também agride as marcas profundas e o amadurecimento que esses seis longos minutos me trouxeram.
Os seis minutos foram necessários, se fossem cinco ou quatro, se eu tivesse agarrado a corda assim que eu a vi, talvez não pensasse assim como agora.
Ainda assim estou tão cansada, sinto tanto frio.

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