domingo, 8 de maio de 2011

E se tudo ficar bem pra sempre?


A viagem havia terminado, enfim ele chegaria em casa e deitaria na sua cama.

Fazia três meses que morava com sua namorada, e os dias que passou morando com ela antes de viajar, foram dias maravilhosos. Acordava de manhã e a via ao seu lado, com os cabelos espalhados no travesseiro, se arrumava olhando para o corpo nu e completamente relaxado na cama e saía para trabalhar silenciosamente, com os olhos sorrindo. À noite, quando voltava cansado depois de 8 horas de trabalho, entrava em casa e alguma música extremamente boa de alguma banda extremamente desconhecida estava tocando baixinho, vindo de todos os lados tal como a luz, aconchegante e suave que flertava com o escuro pelos cantos da casa, e o cheiro de alguma comida diferente que ela inventava na cozinha.

Quando ela ouvia a porta abrir, corria para os braços dele, e o abraçava forte e lhe dava um beijo adolescente ria no ouvido dele. Depois ela corria para a cozinha gritando que algo estava queimando.

Ele só conseguia sorrir.

Depois, se sentavam na mesa para jantar e riam entre as taças cheirosas de vinho. Ele dizia que a comida estava boa e ela o olhava com as maçãs do rosto rosadas pelo vinho e os olhos desejosos.

Subiam as escadas abraçados e se deitavam na cama. Ali ficavam, sentindo todas as coisas conhecidas que de tão boas, todos os dias pareciam novas. Dormiam abraçados, sentindo o cheiro um do outro.

A rotina o completava. Os sete dias que ficou viajando, lhe mostraram uma saudade de casa como nunca havia sentido. Mas um pensamento se agitava na cabeça dele: e se não for sempre assim? E se um dia a rotina se tornasse cheia de brigas e ressentimentos? E se ela mudasse? E se ele mudasse?

A preocupação de perder a melhor coisa que já havia experimentado se confundia com os sorrisos que o escapavam ao lembrar das piadas tolas que ela contava no jantar e que o faziam rir sem parar.

Ele chegou em casa, abriu a porta e colocou a mala no chão, uma musica tocava, cheia de violão, e um homem cantava coisas felizes com a voz baixa e rouca.

O sol entrava pela janela, dourado, se pondo. Ele a viu no outro lado da sala, sentada na mesa, de costas para a porta, escrevendo em uma folha de papel. Ela não o ouvira chegar. A frente da mesa que ela escrevia, se erguia uma parede cheia de fotos e desenhos.

Ela sussurrava alguns versos da musica quando parava de escrever e ficava olhando a folha. O sol batia no seu cabelo e projetava a sombra do lápis escrevendo no chão. O cachorro dormia ao lado dela, tranquilamente, com o corpo no sol e cabeça na sombra. Em cima do fogo, tinha um torta de maçã.

A cena era tão bonita que ele sentou ao lado da porta e ficou olhando para ela, de costas e inconsciente da presença dele. A música trazia uma atmosfera perfeita para a casa e combinava com os dois.

E se ela mudasse?

Enquanto ele pensava na vida bonita que estava sendo construída ali, naquela casa pequena, ela parou de escrever e ficou olhando as fotos na parede. Bem na frente dela, tinha uma foto dele. Ela ficou olhando e estendeu a mão pra afagar o papel, na face dele.

E ele só conseguia sorrir.

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Deisi

um café e mais palavras suas, por favor!

Anônimo

Não quero que você seja minha concorrente, jamais.

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